domingo, abril 23, 2006

Caracol


Caracol, caracol, Põe os pauzinhos ao sol...

sexta-feira, abril 21, 2006

Tentaram matar o Moço Alto

Há dias em que eu me pergunto o que é que eu estou a fazer aqui.
E outros em que percebo que não poderia estar em mais lado nenhum.
Somos todos doidos.
nenhum de nós se safa.
mesmo aquele com a aparencia mais normal tem um segredo escondido.
Analfabetos, religiosos, paranóicos, hipocondiacos, claustrofóbicos, megalómanos, raivosos, medricas, valentes, incompetentes, tarados, vitimas, velhos, novos, gordos e magros, altos, baixos, bonitos, feios...
Viva nós!

sábado, abril 15, 2006

Camino Real - Prayer

"Bless all con men and hustlers and pitch-men who hawk their hearts on the street, all two-time losers who're likely to lose once more, the courtesan who made the mistake of love, the greatest of lovers crowned with the longest horns, the poet who wandered far from his heart's green country and possibly will and possibly won't be able to find his way back, look down with a smile tonight on the last cavaliers, the ones with the rusty armor and soiled white plumes, and visit with understanding and something that's almost tender those fading legends that come and go in this plaza like songs not clearly remembered, oh, sometime and somewhere, let there be something to mean the word *honor* again!"
by Tennessee Williams from the play "Camino Real" (block16)

quinta-feira, abril 13, 2006

Canção Para Álbum de Moça

Bom dia: eu dizia à moça
que de longe me sorria.
Bom dia: mas da distância
ela nem me respondia.
Em vão a fala dos olhos
e dos braços repetia
bom-dia a moça que estava
de noite como de dia
bem longe de meu poder
e de meu pobre bom-dia.

Bom-dia sempre: se acaso
a resposta vier fria ou tarde vier,
contudo esperarei o bom-dia.
E sobre casas compactas
sobre o vale e a serrania
irei repetindo manso
a qualquer hora: bom dia.
Nem a moça põe reparo
não sente, não desconfia
o que há de carinho preso
no cerne deste bom-dia.

Bom dia: repito à tarde
à meia-noite: bom dia.
E de madrugada vou
pintando a cor de meu dia
que a moça possa encontrá-lo
azul e rosa: bom dia.

Bom dia: apenas um eco na mata
(mas quem diria)
decifra minha mensagem,
deseja bom o meu dia.
A moça, sorrindo ao longe
não sente, nessa alegria,
o que há de rude também
no clarão deste bom-dia.
De triste, túrbido, inquieto,
noite que se denuncia
e vai errante, sem fogos,
na mais louca nostalgia.
Ah, se um dia respondesses
Ao meu bom-dia: bom dia!
Como a noite se mudara
no mais cristalino dia!

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, abril 12, 2006

O mar não é de ninguém

Se um dia eu não voltar
desenha o meu nome no chão
pede um desejo às ondas do mar
e guarda-o na tua mão

Sempre que a noite vier
quando não houver luar
dá o desejo a uma onda qualquer
e pede-lhe para eu voltar

Tenho um sorriso guardado
no aguardar dos rochedos
dizem que o tempo é que acalma as mágoas
Quem será que acalma os medos?

(Quadrilha Quarto Crescente)

segunda-feira, abril 03, 2006

Pico pico

Pico, pico, sarapico,
Quem te deu tamanho bico?
Foi a filha do juiz
Que está presa p'lo nariz
Salta a pulga na balança
Dá um berro e vai à França
Os cavalos a correr,
As meninas a aprender.
Qual será a mais bonita
Que se vai esconder?

Quem será que ganhou o jogo?